responsável no local.
Ele confirmou que a equipe havia recebido ordem para abandonar os equipamentos e caminhar até a saída elevada.
Enquanto isso, os operadores iniciavam a sequência de contingência para aliviar a pressão por outro canal.
Durante vinte minutos, ninguém na central desviou os olhos dos monitores.
Vimos a pressão aumentar.
Ouvimos a comunicação por rádio falhar e voltar.
O operador chamou os trabalhadores um por um, pedindo confirmação de que estavam avançando.
Às quatro e quarenta e três, os primeiros capacetes apareceram na câmera do acesso norte.
Onze pessoas saíram em sequência.
Depois mais quatro.
Faltavam quatro trabalhadores.
Uma das câmeras mostrou água atravessando a base da escada.
O engenheiro informou que os últimos homens ajudavam um colega que havia torcido o tornozelo.
A Defesa Civil manteve as equipes de resgate posicionadas.
O responsável pela estação determinou que ninguém retornasse à galeria.
Às quatro e cinquenta e oito, o último trabalhador alcançou a plataforma superior.
Quando sua equipe confirmou que os dezenove estavam fora da área de risco, Iara apoiou as mãos na mesa e soltou o ar lentamente.
Não comemoramos.
O problema maior continuava diante de nós.
Os dados mostravam que a comporta três não conseguiria suportar com segurança a operação prevista sem uma intervenção.
A Defesa Civil ampliou o alerta e organizou a retirada preventiva de moradores nas ruas mais baixas.
Ônibus escolares foram direcionados aos pontos de encontro.
Um ginásio municipal foi preparado como abrigo.
Naquela tarde, centenas de famílias saíram de casa carregando documentos, remédios, animais e roupas.
A evacuação não foi uma decisão simples.
Havia idosos com mobilidade reduzida, pessoas que dependiam de equipamentos médicos e comerciantes que temiam perder tudo.
Mas esperar uma confirmação visual de ruptura teria sido muito mais perigoso.
Ao anoitecer, a equipe especializada conseguiu estabilizar a operação usando o sistema de contingência e medidas temporárias autorizadas pelos responsáveis técnicos.
A comporta defeituosa foi retirada da rotina operacional até a conclusão dos reparos.
Não houve vítimas.
Quando voltei ao escritório, já passava das oito da noite.
Minha mãe estava na sala de reuniões, sentada diante de uma xícara de café intocada.
Gustavo caminhava perto da janela.
Renata permanecia numa cadeira, com o rosto cansado e o computador aberto.
Eu não me sentei.
— Os dezenove trabalhadores estão seguros — anunciei.
— A área foi isolada, e os moradores estão recebendo assistência.
Agora vamos falar sobre os documentos.
Gustavo começou imediatamente.
— Foi um erro do fornecedor.
Eu não sabia que as peças eram diferentes.
Renata girou o computador na direção dele.
— Sabia, sim.
Na tela havia uma sequência de mensagens corporativas.
O fornecedor alertara que determinado lote não atendia integralmente às especificações de resistência previstas no contrato.
Recomendara substituição ou realização de novos ensaios antes da instalação.
A resposta de Gustavo tinha sido objetiva: o cronograma não podia parar.
Dois dias depois, Celina enviara uma mensagem ao filho e aos responsáveis financeiros.
Dizia que a empresa não suportaria outro atraso e que a entrega deveria acontecer antes da cerimônia de inauguração.
Também determinava que nenhuma comunicação externa mencionasse as divergências sem autorização da diretoria.
Minha mãe olhou para a tela.
— Eu não sabia que isso colocaria pessoas em perigo.
— Você sabia que o fornecedor estava pedindo testes adicionais — respondi.
— Achei que Gustavo resolveria.
Ele