no sobrenome que eu nunca lhe contara.
Ele estava errado.
Meu pai pôde abrir portas, contratar advogados e proteger contratos.
Isso importou.
Mas o primeiro movimento que mudou tudo aconteceu antes que ele chegasse.
Foi quando, exausta e ferida, eu parei de aceitar a versão da realidade que Marcelo tentava me impor.
Foi quando li as páginas.
Quando encontrei a data errada.
Quando pedi ajuda.
Quando disse não.
Peguei Elisa no colo enquanto o sol desaparecia atrás das árvores.
Ela segurou meu rosto com as duas mãos e encostou a testa na minha.
Naquele instante, não pensei em vingança, processos ou sobrenomes poderosos.
Pensei apenas na primeira vez que a colocaram sobre meu peito e em tudo que tentaram fazer nos quarenta e sete minutos seguintes.
Eles acreditaram que eu havia cumprido minha função ao dar à luz.
Na verdade, minha vida estava apenas começando.