pai tinha empresas.
Você decidiu que isso não era importante porque achava que eu não tinha acesso a nada.
Regina aproximou-se do filho.
— Marcelo, devolva o bebê.
Ele a encarou, incrédulo.
— Há cinco minutos você estava dizendo outra coisa.
— A situação mudou.
— Não mudou nada.
— Mudou tudo.
Foi Bianca quem começou a demonstrar nervosismo mais abertamente.
— Você disse que ela não tinha ninguém.
Marcelo apertou Elisa contra o peito.
— E não tem.
Ela não fala com o pai há anos.
Olhei para Camila.
— Ligue.
A enfermeira fechou a porta e pegou o telefone.
Marcelo tentou avançar.
— Não faça isso.
Camila ergueu a mão.
— Segurança já foi acionada.
Ele parou.
Poucos segundos depois, ela conseguiu falar com meu pai.
— Senhor Antônio Valença? Sou Camila Rocha, enfermeira do Hospital Santa Augusta.
Sua filha Helena pediu que entrássemos em contato imediatamente.
A voz no outro lado não era audível para mim, mas vi a expressão de Camila mudar.
— Sim, senhor.
Ela está consciente.
O bebê nasceu saudável.
Há uma disputa envolvendo a retirada da criança e documentos apresentados pelo marido dela.
Outra pausa.
Camila me estendeu o telefone.
— Ele quer falar com você.
Segurei o aparelho.
Por um instante, não consegui dizer nada.
Minha relação com meu pai se rompera após anos de discussões sobre controle.
Depois da morte da minha mãe, ele se tornara sufocante.
Escolhia meus cursos, meus empregos, investigava meus namorados.
Quando conheci Marcelo, meu pai o considerou oportunista antes mesmo de conhecê-lo direito.
Eu interpretei aquilo como mais uma tentativa de controlar minha vida.
Saí.
Recusei dinheiro.
Reduzi as ligações.
Queria provar que conseguia construir algo meu.
Agora, depois de tudo, dizer aquela palavra pareceu mais difícil do que enfrentar Marcelo.
— Pai?
A resposta veio firme.
— O que aconteceu?
Contei em poucas frases.
Não chorei.
Não havia espaço para isso.
— Marcelo está tentando levar Elisa.
Ele trouxe um contrato falso dizendo que eu era gestante substituta.
Diz que outra mulher é a mãe legal.
— Elisa está com você?
Olhei para Marcelo.
— Não.
Houve uma pausa.
— Passe o telefone para a enfermeira.
Camila ouviu instruções por menos de um minuto.
Anotou nomes e dois números.
Quando desligou, perguntou:
— Posso acionar o setor jurídico do hospital e registrar formalmente a contestação do documento?
— Sim — respondi.
Marcelo riu, mas a risada saiu forçada.
— Seu pai pode contratar quantos advogados quiser.
Regina o segurou pelo braço.
— Cale a boca.
Ele se soltou.
— Mãe, pare.
— Você não entende o que fez.
Naquele momento, dois seguranças apareceram no corredor acompanhados pela coordenadora de enfermagem.
— Senhor, coloque o recém-nascido no berço — ordenou ela.
Marcelo levantou a pasta.
— Existe um contrato.
— Existe uma contestação formal de fraude — disse a coordenadora.
— E nenhuma ordem judicial autorizando a retirada da criança.
— Eu sou o pai.
— Então deveria estar preocupado com o bem-estar dela.
Bianca se afastou de Marcelo.
— Eu não quero confusão com polícia.
Ele virou-se bruscamente.
— Você sabia que haveria resistência.
— Resistência não.
Você disse que ela tinha concordado.
Eu olhei para Bianca.
— Ele disse isso?
Ela não respondeu.
Marcelo percebeu o perigo e mudou de assunto.
— Chega.
A