Ele Tentou Roubar Nossa Filha — Até Eu Mandar Chamarem Meu Pai

o contrato já foi encerrado.

Seus cartões adicionais foram bloqueados esta manhã.

Meu estômago afundou.

— Esta manhã?

— Sim.

— Enquanto eu estava em trabalho de parto?

Ela não demonstrou vergonha.

— Precisávamos garantir uma transição limpa.

Bianca mexeu na alça da bolsa.

— Elisa vai ter estabilidade conosco.

Olhei para ela.

— Você sabia de tudo?

Bianca abriu a boca, mas Marcelo respondeu primeiro.

— Não importa.

— Importa para mim.

— Você nunca entendeu o tipo de vida que eu precisava construir.

Havia desprezo em sua voz agora.

— Quando nos conhecemos, você era divertida, diferente.

Mas eu jamais imaginei passar o resto da vida sustentando alguém sem ambição.

Eu o encarei.

Durante quatro anos, eu abandonara um cargo numa fundação para ajudar a montar sua empresa.

Organizara reuniões, revisara contratos, cuidara da mãe dele depois de uma cirurgia, vendera um pequeno imóvel herdado da minha avó para cobrir uma crise de caixa que ele jurava ser temporária.

Sem ambição.

Era assim que ele reinterpretava tudo agora.

— Então por que se casou comigo?

Marcelo olhou rapidamente para Regina.

Foi outro detalhe pequeno.

Mas eu guardei.

— Porque naquela época fazia sentido.

— E agora eu servi para ter uma filha.

Ele não respondeu.

Não precisava.

Elisa chorava em seus braços, o rosto ficando vermelho.

Cada célula do meu corpo gritava para arrancá-la dele, mas eu sabia que não conseguiria vencê-lo fisicamente naquele estado.

Então fiz a única coisa que eles não esperavam.

Parei de lutar da maneira que haviam planejado.

Olhei para Camila.

— Meu contato de emergência está no prontuário?

— Sim.

— Há dois nomes?

Ela conferiu a prancheta.

— Sim.

Marcelo sorriu.

— Vai chamar quem? A professora de Santos?

Balancei a cabeça.

— O segundo contato.

O sorriso diminuiu.

— Quem é?

— Meu pai.

Ele riu.

Durante nosso casamento, eu falara pouco sobre Antônio Valença.

Marcelo sabia que tínhamos uma relação difícil e que eu saíra de casa aos vinte e dois anos.

Sabia que minha mãe morrera quando eu era adolescente.

Sabia que eu evitava eventos familiares.

Era tudo.

Ele nunca perguntara qual era o sobrenome de solteira da minha mãe, quais empresas meu pai possuía ou por que eu escolhera usar o nome dela durante parte da vida adulta.

Presumira que meu silêncio escondia vergonha.

Na verdade, escondia conflito.

Camila encontrou o nome no prontuário.

Seu rosto mudou.

— Antônio Valença?

Assenti.

— Sim.

Regina perdeu a cor.

— Não.

Marcelo virou-se para ela.

— O quê?

Ela continuou olhando para mim.

— Você é filha daquele Antônio Valença?

— Sou.

Bianca franziu a testa.

— Quem é Antônio Valença?

Regina fechou os olhos por um instante.

— Fundador do Grupo Valença.

O silêncio que se seguiu foi diferente.

Agora não havia apenas crueldade no quarto.

Havia medo.

O Grupo Valença começara décadas antes com uma pequena empresa de engenharia e crescera para atuar em infraestrutura, hospitais privados, logística e fundos imobiliários.

Meu pai era conhecido no meio empresarial não apenas pelo dinheiro, mas pela maneira cuidadosa como protegia contratos e reputação.

Marcelo sabia disso.

Todos no setor dele sabiam.

Só nunca imaginara que eu fizesse parte daquela família.

— Você mentiu para mim — disse ele.

— Não.

— Você escondeu quem era.

— Eu disse que meu

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