Fingi Não Poder Andar e Descobri Quem Planejava Me Destruir

tão depressa que bateu na própria cadeira.

Renato empalideceu.

Meu tio Martin deixou cair a caneta.

Caminhei devagar até a cabeceira da mesa.

— Minha coluna nunca foi destruída — disse.

— E eu nunca perdi os movimentos das pernas.

Bianca abriu a boca.

— Você mentiu para mim?

— Eu permiti que você acreditasse no diagnóstico que decidiu usar contra mim.

Renato tentou interromper.

— Isso é absurdo.

Esta reunião precisa ser suspensa.

— Ainda não.

Artur distribuiu pastas lacradas aos membros do conselho.

Não continham detalhes da investigação criminal em andamento, que permaneciam restritos.

Continham, entretanto, documentação financeira suficiente para demonstrar pagamentos não divulgados entre entidades ligadas a Bianca e empresas associadas a Renato, além de registros de acesso não autorizado a arquivos societários.

O rosto de Renato mudou.

— Esses documentos foram obtidos ilegalmente.

— Alguns vieram dos nossos próprios sistemas financeiros — respondeu Artur.

— Outros foram entregues voluntariamente por testemunhas e verificados por auditores externos.

Bianca virou-se para Renato.

Foi a primeira vez que vi medo real entre os dois.

Nesse instante, Marcos abriu a porta da sala.

Atrás dele estavam dois investigadores e um representante da polícia local.

Eles não chegaram gritando nem algemando ninguém como em uma cena de cinema.

Apenas pediram que Renato os acompanhasse para prestar esclarecimentos relacionados a uma investigação sobre meu acidente e possíveis delitos financeiros.

Renato tentou manter a postura.

— Meu advogado estará presente.

— Naturalmente — respondeu um dos investigadores.

Bianca começou a chorar.

Não por mim.

Por ela mesma.

— Gabriel, eu não sabia de nada sobre o carro.

Talvez fosse verdade.

Talvez não.

Eu não tinha intenção de decidir isso com base em emoção.

— Então conte às autoridades exatamente o que sabe.

Ela deu um passo em minha direção.

— Nós íamos nos casar.

Retirei do bolso o anel simples que ela me devolvera informalmente duas noites antes ao dizer que precisava de espaço para pensar.

Coloquei-o sobre a mesa.

— Não mais.

Nas semanas seguintes, a investigação revelou uma estrutura muito maior do que imaginávamos.

Renato havia desviado dinheiro por meio de contratos superfaturados e fornecedores ligados a empresas de fachada.

Os pagamentos relacionados à família de Bianca faziam parte de uma tentativa de comprar influência e obter documentos que permitissem pressionar membros minoritários do conselho.

Quanto ao carro, a perícia confirmou que a linha de freio apresentava um corte incompatível com dano acidental provocado pela queda.

Imagens adicionais de uma câmera de trânsito próxima à propriedade registraram o veículo de Renato chegando ao local naquela noite.

Registros de localização obtidos legalmente durante a investigação também ajudaram a estabelecer sua presença.

O processo criminal levaria tempo, e eu me recusei a transformar a história em espetáculo público antes que a Justiça fizesse seu trabalho.

Renato foi afastado imediatamente da empresa e posteriormente formalmente acusado de crimes financeiros e delitos ligados à adulteração do veículo.

Seus advogados contestaram as acusações, como era direito dele, e o caso seguiu pelos canais legais.

Bianca cooperou com os investigadores.

A apuração mostrou que ela participara do esquema financeiro e da tentativa de obter meus poderes societários, embora não surgisse prova suficiente de que soubesse antecipadamente do corte nos freios.

Para mim, isso não mudou o essencial.

Ela tinha rido da minha suposta deficiência.

Tentara transformar uma

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