que passara acreditando em versões convenientes da história.
Nada disso devolveria Beatriz.
Mas, quando a neve voltou a cair diante da janela, Isadora abriu a caixinha de prata e ouviu a melodia até o fim.
Dessa vez, não era o som de uma perda.
Era o primeiro som de uma família que ainda podia ser reconstruída.
E a menina que todos haviam ignorado na escadaria da ópera nunca mais precisaria provar seu valor por causa de uma fortuna, de um sobrenome ou de um documento.
Ela já pertencia àquela família antes mesmo de qualquer exame confirmar seu sangue.
Porque, naquela noite gelada, a verdade não foi revelada pelo dinheiro.
Foi revelada por uma pequena bailarina de prata que continuou dançando, mesmo depois de oito anos de silêncio.