Voltei Para Salvar Meu Pai e Encontrei Uma Fraude Milionária

Mas decidi permanecer em Dallas por algum tempo.

Numa tarde de outubro, quase um ano depois de eu ter atravessado aquela porta com uma mala, encontrei meu pai na biblioteca.

Ele estava de pé diante da janela.

Sem cadeira de rodas.

Sem alguém controlando seus comprimidos.

Sem medo de pedir água dentro da própria casa.

Na mesa estava o relógio de ouro de minha mãe.

Richard pegou-o e tentou colocá-lo no pulso, mas os dedos ainda tinham alguma rigidez.

Aproximei-me e fechei a pulseira para ele.

Ele passou o polegar sobre a gravação no verso.

— Pensei que tinha perdido tudo — disse.

Olhei para as estantes, para as plantas antigas dos primeiros prédios da Hale Construction e para uma fotografia de minha mãe que eu recolocara sobre a lareira.

— Quase perdeu.

Ele sorriu de lado.

— Você veio me salvar.

Balancei a cabeça.

— Não.

Eu trouxe documentos e fiz algumas ligações.

Você foi quem decidiu falar.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos.

Depois caminhou lentamente até a mesa sem ajuda.

Naquela primeira manhã, eu o encontrara rastejando pelo mármore enquanto duas pessoas usavam sua fraqueza para convencê-lo de que não possuía mais nada.

Agora ele atravessava a própria casa com passos lentos, porém firmes.

Antes de sair da biblioteca, ele me chamou.

— Isabella?

— Sim?

— Sua mãe ficaria orgulhosa de você.

Durante seis anos, achei que voltar para aquela casa significaria retornar ao lugar onde eu tinha sido ferida.

Eu estava errada.

Voltar significou descobrir que eu já não era a filha assustada que saíra dali.

E, quando fechei a porta da biblioteca atrás de mim, ouvi os passos do meu pai continuarem do outro lado.

Desta vez, ele não estava rastejando.

Estava caminhando.

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