Voltei do Funeral e Encontrei a Família Dele Roubando Tudo

Mentiroso — sussurrou.

A voz gravada de Lucas prosseguiu:

— Quando percebi que alguém havia entrado no meu carro duas vezes sem motivo, instalei uma câmera de garagem e comecei a registrar as revisões.

Se algo acontecer comigo, verifiquem o vídeo de quinta-feira, 22h14.

A perita abriu a pasta correspondente.

O vídeo mostrava a garagem subterrânea da sede.

A imagem era distante, mas clara o suficiente para identificar Renato entrando na área restrita com um crachá.

Minutos depois, outra pessoa apareceu.

Era Celina.

Meu estômago despencou.

No vídeo, os dois se aproximavam do carro de Lucas.

Renato abria o capô.

Celina permanecia olhando para o corredor.

— Isso não mostra sabotagem — Renato falou rápido.

— Eu estava verificando a bateria.

Ele tinha reclamado do carro.

A perita avançou alguns minutos.

Renato se abaixava na lateral dianteira.

Não era possível ver exatamente o que fazia.

Mas havia mais.

Um segundo arquivo de vídeo mostrava um mecânico particular chegando ao prédio na madrugada seguinte.

O registro de entrada tinha sido feito com autorização temporária emitida pela conta administrativa de Mirela.

Ela começou a chorar.

— Eu achei que ele só ia mexer no rastreador.

Renato virou-se para ela.

— Cala a boca.

— Você disse que precisava impedir Lucas de levar os arquivos para a polícia!

A sala explodiu em vozes.

Celina tentou calar os dois.

O investigador pediu silêncio.

Mirela chorava.

Renato dizia que ela estava confundindo tudo.

Eu, porém, só conseguia ouvir uma coisa: impedir Lucas de levar os arquivos para a polícia.

A gravação seguinte era de uma conversa telefônica entre Lucas e um mecânico que trabalhava para a empresa havia anos.

O homem relatava ter encontrado marcas recentes de ferramenta na linha do freio e recomendava trocar o conjunto.

Lucas perguntava se seria seguro dirigir até a oficina.

O mecânico dizia que sim, desde que fosse devagar e direto.

Lucas não chegou à oficina.

O acidente ocorreu no caminho.

Helena fechou os olhos por um segundo.

— Ele me ligou logo depois dessa conversa — disse.

— Eu pedi que não dirigisse.

Ele disse que precisava sair do prédio porque tinha visto Renato no estacionamento.

Foi então que entendi uma coisa horrível: Lucas não morrera porque ignorara um risco.

Ele morrera porque acreditara que o perigo maior era ficar parado.

Celina começou a falar, agora não para nós, mas para si mesma.

— Ele ia vender a empresa.

Ia entregar tudo para estranhos.

Helena corrigiu:

— Ele ia denunciar desvios e bloquear uma venda fraudulenta.

— Era patrimônio da família!

— Patrimônio não dá direito de sabotar um carro.

Celina se virou para mim.

— Você colocou essas ideias na cabeça dele.

Antes de você, Lucas entendia dever.

Eu a encarei e, pela primeira vez, não senti medo nem necessidade de agradar.

— Antes de mim, ele achava que amor era obedecer.

O silêncio que veio depois foi brutal.

Renato acabou sendo levado para prestar depoimento.

Mirela também, embora os investigadores deixassem claro que sua cooperação seria considerada.

Celina tentou sair sem responder a novas perguntas, mas foi informada de que seria acompanhada e que sua bolsa seria apreendida temporariamente porque continha documentos retirados do escritório.

Os demais parentes devolveram o que tinham pegado e foram identificados.

Quando a porta finalmente se fechou, o apartamento ficou devastado

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