O policial roubava motoristas até parar a agente errada

que as denúncias tinham sido encerradas rapidamente.

Quase todas por falta de evidências.

— Quem supervisiona Rusk? — perguntou Mara.

Jonah virou outra página.

— Xerife Wade Denton.

— E quem analisou as reclamações?

Jonah ergueu os olhos.

— Também Denton.

Aquilo mudou tudo.

A investigação não começou naquela tarde.

Já existia uma análise preliminar, mas os relatos eram antigos, fragmentados e difíceis de provar.

Muitas vítimas tinham medo de retornar ao condado.

Outras não guardavam documentos.

Algumas haviam pago dinheiro sem testemunhas.

O caso de Eli oferecia algo diferente.

Uma ligação feita minutos depois do ocorrido.

Uma fotografia.

Registros bancários mostrando o saque.

Imagens do posto onde ele parou logo após a abordagem.

E um jovem disposto a prestar depoimento formal.

Ainda assim, ninguém queria transformar Mara numa agente vingativa atrás do homem que prejudicara seu irmão.

Foi ela quem sugeriu permanecer fora da investigação operacional.

Jonah concordou.

Até que a equipe recebeu informação de que Rusk costumava escolher veículos com placas de fora do condado, especialmente motoristas sozinhos.

A partir daí, os investigadores prepararam uma operação controlada com supervisão federal, vigilância e gravação legalmente autorizada.

Mara só participaria porque Rusk nunca a tinha visto e porque seu perfil correspondia ao padrão das vítimas.

Ela dirigiria normalmente.

Não provocaria uma abordagem.

Não ofereceria dinheiro.

Não cometeria infrações deliberadamente.

Se Rusk não fizesse nada, a operação terminaria ali.

Às 14h13, Mara passou por uma placa antiga de churrasco e viu a viatura escondida atrás dela.

Quatro minutos depois, as luzes surgiram no retrovisor.

Ela estacionou.

Desligou o motor.

Abaixou os vidros.

Colocou as mãos sobre o volante.

Rusk se aproximou lentamente.

— Sabe por que parei você, querida?

— Não, senhor.

— Velocidade excessiva em área de obras.

Mara olhou pelo para-brisa.

Não havia cones, máquinas ou placas de construção em nenhum ponto visível.

— Qual velocidade o senhor registrou?

Rusk estreitou os olhos.

— Está discutindo comigo?

— Estou perguntando a velocidade registrada.

Ele mandou que ela saísse.

Mara obedeceu sem movimentos bruscos.

Então veio a frase que ela já esperava ouvir depois de ler as denúncias.

— Estou sentindo cheiro de maconha.

Mara nunca fumara naquele veículo.

O SUV tinha sido retirado da locadora naquela manhã e inspecionado pela equipe.

Rusk colocou as mãos sobre o capô.

— Posso revistar?

— Não autorizo nenhuma busca voluntária.

O maxilar dele endureceu.

— Não preciso da sua autorização.

Ele começou pela parte dianteira.

Abriu o console.

Remexeu documentos.

Depois viu a bolsa de Mara no banco do passageiro.

— O que tem aqui?

— Minhas credenciais.

— Credenciais de quê?

Mara avaliou a situação.

A câmera escondida gravava.

A equipe de Jonah estava a menos de um minuto dali.

— Sou agente especial do FBI.

Rusk ficou parado.

Por um instante, ela pensou que o reconhecimento daquelas palavras encerraria tudo.

Não encerrou.

Ele riu.

— Claro que é.

Mara indicou a bolsa.

— Posso mostrar minha identificação.

Quando ela moveu lentamente a mão, Rusk sacou a arma.

— Não se mexa!

A pistola ficou apontada para o peito dela.

O mundo pareceu diminuir até o som das cigarras, o cascalho sob seus sapatos e a respiração pesada de Rusk.

Mara não tentou ser heroína.

Não avançou.

Não discutiu.

Levantou as mãos.

— Estou parada.

Rusk aproximou-se.

— Agora você vai

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