uma obstetra experiente, que imediatamente providenciou nova avaliação clínica, exames e monitoramento fetal.
Também foi feito o registro médico das lesões de Elisa, com o cuidado necessário para preservar sua dignidade e evitar que ela tivesse de repetir a história diante de inúmeras pessoas.
Durante horas, permanecemos num quarto silencioso.
Minha filha tentou dormir, mas acordava assustada sempre que ouvia passos no corredor.
— Ele sabe que estamos aqui? — perguntava.
— A equipe está informada de que você não deseja contato com ele — eu respondia.
— E Tânia está cuidando das providências legais.
Naquela tarde, Elisa prestou seu depoimento às autoridades.
Não foi fácil.
Precisou contar sobre os primeiros insultos, sobre as ameaças veladas, sobre as noites em que Renato exigia acesso ao seu telefone e sobre a violência que havia aumentado durante a gravidez.
Também relatou a ameaça ligada à anestesia.
A advogada explicou que seria solicitada uma medida protetiva de urgência e que as denúncias envolvendo os documentos hospitalares seriam apuradas separadamente pelos órgãos competentes.
Na manhã seguinte, recebemos a notícia de que haviam sido determinadas medidas para impedir a aproximação e o contato indevido de Renato com Elisa.
Minha filha ficou olhando para a decisão durante vários minutos.
— Ele vai obedecer? — perguntou.
— Existem mecanismos para agir se ele descumprir — explicou Tânia.
— O importante é que agora temos um plano de segurança, provas preservadas e pessoas responsáveis acompanhando a situação.
Elisa colocou o documento sobre a mesa.
— Faz tanto tempo que não tomo uma decisão sem pensar no que ele vai fazer depois.
Eu me sentei ao lado dela.
— Você vai reaprender.
E não precisa fazer isso sozinha.
Naquela noite, aproximadamente doze horas depois de nossa chegada, o monitoramento mostrou alterações que exigiam atenção da equipe obstétrica.
Elisa também começou a apresentar contrações dolorosas.
Helena explicou os resultados, discutiu as alternativas possíveis e recomendou uma cesariana diante da evolução clínica observada.
Minha filha ficou pálida.
Era justamente o procedimento que Renato havia usado para aterrorizá-la.
— Eu vou acordar? — perguntou, com a voz quase inaudível.
A anestesista independente se aproximou da cama e explicou, sem prometer riscos inexistentes, o tipo de anestesia planejado, os cuidados de segurança e as condições de monitoramento.
A equipe respondeu a todas as perguntas.
Ninguém disse a Elisa que ela deveria ficar quieta.
Ninguém exigiu obediência.
Ninguém tentou falar por ela.
Quando finalmente concordou com a cirurgia, Elisa pediu apenas uma coisa.
— Mãe, promete que vai estar aqui quando eu voltar?
Beijei sua testa.
— Vou estar esperando você e minha neta.
Fiquei do lado de fora do centro cirúrgico com a bolsa de roupas nas mãos.
Os minutos pareciam intermináveis.
Eu sabia, pela minha experiência, que a cirurgia exigia atenção e que resultados nunca poderiam ser garantidos antecipadamente.
Mas também sabia que Elisa estava sendo atendida por profissionais que respeitavam suas escolhas e trabalhavam de maneira independente do homem que a ameaçara.
Então ouvi o primeiro choro.
Um choro forte, indignado, maravilhoso.
A enfermeira apareceu algum tempo depois.
— Dona Irene, sua neta nasceu.
A bebê está recebendo os cuidados de rotina e sua filha está sendo acompanhada pela equipe.
Segurei a mão dela com tanta força que precisei pedir desculpas.
A espera continuou até que finalmente fui informada de que