leite e tudo de que precisava.
Paramos num semáforo, e meu avô olhou para mim.
“Lembra daquele dia na estrada?”
“Lembro de cada minuto.”
Ele sorriu discretamente.
“Eu estava indo comprar pão.
Quase escolhi outro caminho.”
Pensei no frio daquela tarde, na bicicleta quebrada e no desespero de tentar chegar à farmácia antes que fechasse.
Durante muito tempo, imaginei que minha vida havia mudado porque meu avô apareceu naquela rua.
Mas, enquanto o sinal ficava verde e eu retomava o caminho, entendi que havia outro momento igualmente importante.
Foi quando ele perguntou o que estava acontecendo, e eu finalmente deixei de proteger a mentira dos outros.
Meu avô não precisava mais perguntar onde estava o carro que havia me dado.
As chaves estavam na minha mão.
Meu filho estava seguro.
E, pela primeira vez em muito tempo, o caminho que seguíamos era uma escolha minha.