mesa estava a caixa de biscoitos em formato de estrela que eu havia comprado em Phoenix meses antes.
Minha irmã tinha encontrado a embalagem vazia numa caixa de mudança e Clara insistira em guardá-la para colocar lápis de cor.
Peguei um dos desenhos que ela havia deixado ao lado.
Era uma figura de cabelo curto segurando a mão de outra figura maior.
Acima das duas havia um sol enorme e torto.
Quando Clara voltou naquela noite, sentou-se no chão para desenhar novamente.
Uma mecha caiu sobre seus olhos.
Ela tentou soprá-la para o lado e começou a rir.
“Mamãe, olha.
Está crescendo.”
Eu me ajoelhei perto dela.
“Está mesmo.”
Clara tocou o próprio cabelo e depois levantou o rosto.
“Ninguém corta sem eu querer, né?”
“Ninguém.”
Ela assentiu como se aquela fosse a regra mais simples do mundo.
Talvez devesse ter sido desde o começo.